Capítulo 3

Como a internet funciona

 

Gustavo Kreuzig Bastos

 

 

Até o início dos anos noventa, poucas pessoas utilizavam a internet no mundo. Estando restrita ao uso militar ou universitário, a internet tinha como grande apelo, facilitar a comunicação e principalmente troca de informações entre seus usuários. Entretanto, é importante lembrar, que até 1989 a internet não apresentava qualquer recurso gráfico, e sua utilização requeria conhecimentos avançados em linguagens específicas. Foi apenas após a introdução do serviço WWW que a internet se tornou popular, pois através do WWW, navegar pela internet tornou-se extremamente simples. Muitos médicos e profissionais da saúde conseguem navegar pela internet, trocar mensagens e mesmo comprar com desenvoltura, mas muitas vezes não sabem lidar com o mais simples editor de texto. A verdade por trás disso é uma só; navegar pela internet utilizando WWW é realmente muito simples. Mas o que existe por trás desse sistema ? Será que WWW substituiu todos os antigos serviços existentes da internet ? A seguir serão abordados alguns conceitos e idéias por trás dessa revolucionária tecnologia.

 

 

 Clientes e servidores

            A internet é o maior banco de informações do mundo, que pode ser acessado por um simples clique no mouse. Para navegar na internet, são necessários por enquanto; um computador, que pode estar na mesa, no carro ou mesmo embutido em uma agenda de bolso, uma conexão com a internet através de linha telefônica, ondas de rádio ou cabo de televisão e um programa específico para navegação chamado browser. Os browser desempenham papel fundamental, pois permitem que o usuário leia uma página recheada com informações que pode estar localizada no próprio computador do usuário ou mesmo em outro país.  Em geral, as páginas apresentadas pelos browsers são repletas de links ou hiperlinks na forma de palavras, sentenças ou mesmo imagens, que ao serem clicadas, levam o usuário para novas páginas e sites, localizadas no mesmo servidor ou em servidores completamente diferentes (figura 3.1).

 

            Páginas dos mais variados tipos e formatos são hospedadas em servidores, que oferecem serviços pela rede, ou seja, servidores aceitam pedidos que chegam, executam seu serviço e retornam o resultado a quem os pediu, geralmente um cliente. Normalmente fica instalado em um sistema de gerenciamento, isto é, em um computador designado para prestar tal serviço e que também leva o nome de servidor. De uma maneira ainda mais simples, os servidores são os computadores que armazenam ou hospedam as páginas que visualizamos em nosso “browser”, quando navegamos pela Internet. É interessante lembrar que nem todos os servidores são provedores de acesso à Internet, mas que a maioria dos provedores também são servidores, pois armazenam páginas do próprio provedor e de seus assinantes.

 

Caixa de texto:

Quando um link é clicado, o browser envia Instantaneamente um pedido para o servidor que hospeda a página solicitada. Neste caso o browser está desempenhando o papel de cliente, ou seja, um programa que envia pedidos a um servidor e aguarda  pela resposta. Normalmente é o programa instalado no micro ou sistema do usuário, e é responsável por fazer a ligação entre o usuário e o serviço que se encontra no servidor. Atualmente, os principais programas que desempenham o papel de clientes são o Internet Explorer da Microsoft e Netscape da própria Netscape.

Figura 3.1: Através de um simples clique de mouse sobre um link, o usuário receberá em seu computador outra página repleta de informações, que pode estar localizada ou não, no mesmo servidor.

 
 

 

 

 


Podemos tentar exemplificar como acontecem os diversos e não menos  complexos eventos nos bastidores da internet. Por exemplo, se um médico precisa acessar o Medline (Capítulo 8) para fazer uma pesquisa bibliográfica, ele digitará em seu computador o endereço do site que hospeda o serviço, por exemplo www.nlm.nih.gov. O browser instalado no computador, quer seja o Internet Explorer, Netscape ou outro qualquer, desempenha o papel de cliente, que fará a solicitação de uma cópia da página hospedada no endereço www.nlm.nih.gov, portanto, ao navegar pela Internet, o usuário tem a falsa impressão de movimento e dinamismo. O usuário não foi até o computador que hospeda a página, mas uma cópia da página que o usuário deseja foi enviada pelo servidor, após solicitação do cliente.

 

A figura 3.2 apresenta esquematicamente a maneira como a internet funciona. Existem milhares de servidores conectados à internet e que podem ser acessados pelos clientes. Na figura, os clientes são exemplificados como uma pequena casa, localizada em uma rua de uma grande cidade. Quando o usuário digita o endereço de um site ou página na internet, www.nlm.nih.gov por exemplo, seu browser, ou seja, o cliente, envia um pedido para a internet, que ao chegar no servidor específico, no caso a fábrica, é prontamente respondido. Os pedidos ou endereços digitados pelo usuário no seu browser recebem o nome de URL (Uniform Resource Locator), e a resposta chega ao cliente na forma de um pacote contendo a página desenvolvida em HTML.






Protocolos e números na internet

 

           

            A relação entre clientes e servidores aparenta ser simples. E realmente é. Entretanto, existe um interessante e preciso sistema de números e protocolos nos bastidores, que respondem por toda a organização desse enorme emaranhado de redes que a internet se tornou.

 

O protocolo TCP/IP foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores na ARPANET, e rapidamente tornou-se padrão para outras redes, inclusive a internet dos dias de hoje. Um protocolo é um conjunto de regras e padrões que descrevem modos de operação para que dois ou mais computadores possam trocar dados entre si.  O TCP/IP é mais do que um protocolo, é na verdade um conjunto de protocolos que permite que diferentes computadores, utilizando plataformas e sistemas operacionais diferentes, comuniquem-se entre si através de uma linguagem comum. Com o TCP/IP, mensagens e solicitações de clientes são partidas e divididas em pacotes de diferentes tamanhos que recebem um nome ou título, indicando de que mensagem ou solicitação faz parte, de onde vieram e para onde devem ir. No momento que os pacotes chegam ao seu destino, softwares de TCP/IP reúnem os pacotes, colocam estes em ordem e extraem sua mensagem ou solicitação. Na ausência de algum pacote, uma mensagem e enviada ao cliente, solicitando o pacote que falta. Este é um sistema bastante eficiente para transmitir mensagens e solicitações, entretanto, para a transmissão de arquivos de som e vídeo não funciona tão bem, pois não existe certeza quanto à chegada dos pacotes em sua ordem correta inicial, pois diferentes caminhos pela internet podem ser tomados para chegar ao mesmo destino.

 

O IP, ou número IP, é a porção responsável do protocolo pelo endereçamento dos pacotes. O IP faz com que os pacotes encontrem seu caminho entre o  cliente e o servidor. Neste caminho, computadores especiais chamados de roteadores examinam os pacotes e os repassam para o próximo roteador até chegarem ao seu destino. Cada computador/servidor na Internet tem um endereço único que consta de um número de 32 bits, mais comumente representado como quatro números, ou  “dotted quad”, unidos por um ponto. São os roteadores que decodificam o nome genérico do site, para seu endereço IP, pois é muito mais simples lembrar de endereços escritos, como www.nlm.nih.gov, do que de números tão longos.

 

A ARPANET originalmente tinha apenas 256 sistemas ligados por sua forma de endereçamento. No começo dos anos 80, ficou claro que a internet cresceria rapidamente e não poderia continuar com um limite tão pequeno de endereços. Nascia então o novo modelo de endereçamento de 32 bits, liberando milhares de números para novos endereços. Entretanto, mesmo com o sistema de 32 bits o problema não foi totalmente sanado. Caso a internet mantenha seu ritmo de crescimento, em menos de 10 anos os endereços se esgotarão.

 

 

Domínios

 

            Domínio é o nome que é dado a um site ou página na internet. Em geral os nomes de domínios tentam indicar com clareza e simplicidade uma organização que tem um site na internet. Por exemplo, o domínio da Universidade Federal de Minas Gerais na internet é ufmg.br, da mesma forma, o nome de empresas famosas como a Microsoft ou mesmo a General Motors seguem o mesmo estilo, sendo www.apple.com  e www.gm.com respectivamente. Enquanto que tais nomes óbvios são geralmente comuns, há ocasionais exceções que são ambíguas o suficiente para confundir - como vt.edu, que poderia ser algum tipo de instituição educacional de Vermont, mas na verdade é o nome de domínio para Virginia Tech. Na maioria dos casos é relativamente fácil captar o significado de um nome de domínio e muitas vezes não é preciso recorrer às ferramentas de busca na internet para encontrar a página desejada. Basta experimentar o endereço que pareceria mais óbvio. Muitas vezes é este o endereço procurado.

 

Um domínio é portanto uma localidade na internet. Todos os sites na internet e todos os emails que trafegam na internet apresentam um domínio específico, representado da seguinte forma:

 

nome de um computador:algumlugar.domínio.domíniodealtonível

endereço e-mail: usuário@algumlugar.domínio.domíniodealtonível

 

A porção “usuário” é geralmente o nome da conta ou identificação do usuário no sistema. A porção “algumlugar” diz respeito ao nome da organização. A porção “domínio”, também conhecida como domínio de primeiro nível (Figuras 3.3, 3.4 e 3.5), diz respeito à qualidade desta organização, por exemplo, “.com” para uma organização comercial ou “.gov” para uma organização governamental. O domínio de alto nível é utilizado para indicar o país de origem do site e conseqüentemente da organização por trás deste. Entretanto, não é incomum que empresas localizadas no Brasil, por exemplo, tenham sites sem a terminação “.br”.  Alguns domínios de alto nível são:

 

au        Austrália

br         Brasil

ca        Canadá

fr          França

uk        Reino Unido

ar         Argentina

 

 

Domínios para Instituições

AM.BR

Empresas de radiodifusão sonora

ART.BR

Artes: música, pintura, folclore

BR

Entidades de pesquisa e/ou ensino superior

COM.BR

Comércio em geral

ESP.BR

Esporte em geral

FM.BR

Empresas de radiodifusão sonora

G12.BR

Entidades de ensino de primeiro e segundo grau

GOV.BR

Entidades do governo federal

IND.BR

Industrias

INF.BR

Meios de informação (rádios, jornais, bibliotecas, etc..)

MIL.BR

Forças Armadas Brasileiras

NET.BR

Exclusivamente para provedores de meios físicos de comunicação, habilitados legalmente para a prestação de serviços públicos de telecomunicações

ORG.BR

Entidades não governamentais sem fins lucrativos

PSI.BR

Provedores de serviço Internet

REC.BR

Atividades de entretenimento, diversão, jogos, etc...

TMP.BR

Eventos temporários, como feiras e exposições

TUR.BR

Entidades da área de turismo

TV.BR

Empresas de radiodifusão de sons e imagens

ETC.BR

Entidades que não se enquadram nas outras categorias

  Figura 3.3: Domínios para instituições, somente para pessoas jurídicas

 

Domínios para Profissionais Liberais

ADM.BR

Administradores

ADV.BR

Advogados

ARQ.BR

Arquitetos

BIO.BR

Biólogos

CNG.BR

Cenógrafos

CNT.BR

Contadores

ECN.BR

Economistas

ENG.BR

Engenheiros

ETI.BR

Especialista em Tecnologia da Informação

FOT.BR

Fotógrafos

FST.BR

Fisioterapeutas

JOR.BR

Jornalistas

LEL.BR

Leiloeiros

MED.BR

Médicos

NTR.BR

Nutricionistas

ODO.BR

Dentistas

PPG.BR

Publicitários e profissionais da área de propaganda e marketing

PRO.BR

Professores

PSC.BR

Psicólogos

SLG.BR

Sociólogos

VET.BR

Veterinários

ZLG.BR

Zoólogos

  Figura 3.4:  Domínios para profissionais liberais.

 

Domínios para Pessoas Físicas

NOM.BR

Pessoas Físicas

Domínios Internacionais

.COM

Entidades Comerciais

.NET

Empresas de telecomunicações

.ORG

Entidades não-governamentais, sem fins lucrativos

  Figura 3.5: Domínios para pessoas físicas e domínios internacionais

 

          Ainda com relação aos domínios, algo curioso vem acontecendo. Como é de se imaginar, existe um número limitado de palavras, números ou letras, que combinados ou não, podem ser utilizados como nomes para domínios. Em virtude disso, uma verdadeira febre se espalhou, produzindo um fenômeno semelhante ao que ocorre quando as autoridades anunciam a escassez ou alta exorbitante do preço de algum alimento de primeira necessidade. As pessoas vão como loucas aos supermercados e esgotam os estoques. Esse comportamento passou para o mundo dos domínios. Agora são eles que se esgotam. A febre para registrar novos domínios, ou mesmo comprá-los vêm produzindo situações inimagináveis.

            Assim, encontrar um domínio que corresponda ao nome de uma empresa ou mesmo ao nome de uma pessoa tornou-se quase impossível, independente se o domínio é do tipo “.com”, “.org” ou “.net”. Um estudo realizado pela Names Direct (www.namesdirect.com) mostra que o desespero para achar um nome fez com que se esgotassem todas as palavras em inglês. Segundo o estudo, todas as combinações de três letras e três números se esgotaram em abril de 2000, e sobraram pouquíssimos nomes comuns.

            A chegada maciça das empresas na internet e a popularização mundial da rede contribuirão bastante para o estabelecimento deste cenário. Já existem registrados 9.482.427 domínios ".com" e 17.738.857 domínios ".org". ".net" e ".gov" em todo o mundo. Uma verdadeira guerra vem sendo travada para conseguir domínios. Como num passe de mágica, novas empresas especializadas no ramo de novas marcas e com soluções para este problema surgem no mercado. Já existem inclusive empresas que especulam com os nomes e se denominam bancos de domínios (Figura 3.6) Começa a ser comum tomar café da manhã lendo sobre o demandante do dia -qualquer famoso ou instituição pública ou privada- , que reivindica uma pequena fatia da Rede com seu nome.

Caixa de texto: Figura 3.6: O site Goldnames acena  como o primeiro site de investimentos especializados em nomes de domínios da internet. Caixa de texto:

Provedores

            Provedores são computadores que provêm acesso à internet. É dado o mesmo nome às empresas que oferecem esse serviço. Os provedores de acesso à internet começaram a proliferar no início da década de 90, graças ao advento da Web. Mesmo hoje, ainda existe confusão com relação à terminologia. Confunde-se principalmente servidores da internet com provedores da internet, que apesar de muitas vezes desempenharem funções semelhantes, são diferentes.  Para esclarecer, contamos com os conceitos descritos acima, neste capítulo, onde servidores foram apresentados como sendo as máquinas, ou mais precisamente, os computadores, que armazenam as informações, na forma de sites, bancos de dados ou imagens, por exemplo. Sendo assim, servidores não provêm acesso a internet , mas apenas armazenam informações que podem ser acessadas de qualquer lugar. Para acessar a internet, a maioria dos usuários necessita de um provedor, que desempenha realmente o papel de prover acesso a grande rede, mas que também oferece outros serviços, como por exemplo o armazenamento de informações. Sendo assim, os provedores, além de prover acesso à internet, desempenham também o papel de servidores, pois hospedam sites e outras informações. Para fixar esses conceitos, basta lembrar do seguinte exemplo: Um médico que acessa a internet de sua residência, através de seu provedor, por exemplo o UOL (Universo on-Line), pode tanto visitar o site do próprio UOL na internet, hospedado no provedor, como pode também acessar a página de uma editora, como a Revinter (www.revinter.com.br), que está hospedada em um servidor, mas que não provê acesso à internet. Dessa forma, todo provedor é considerado também um servidor, mas nem todo servidor é um provedor de acesso à internet.

 

Quando WWW apareceu no Brasil na metade da década de 90, alguns provedores começaram a oferecer seus serviços. No início eram poucos, mas em alguns anos se tornaram centenas, oferecendo diferentes pacotes de serviços à preços variados. É evidente que no começo dessa nova fase da internet no Brasil os problemas eram imensos. Os usuários esbarravam constantemente em linhas ocupadas, conexões lentas e serviços de suporte deficientes. Vale lembrar que os sistemas operacionais dos computadores, principalmente o Windows, ainda não estavam prontos para a internet, obrigando os usuários a instalar os mais diversos kits de acesso oferecidos pelos provedores.

 

Com a concorrência que passou a predominar neste segmento do mercado, deu-se início há alguns anos o processo de fusão dos provedores. Atualmente, grandes empresas pertencentes a grupos nacionais e mesmo multinacionais dominam o mercado. Realmente a qualidade do serviço melhorou muito, ainda mais se levarmos em consideração que o mundo inteiro está acompanhando a evolução da internet. Novos provedores já oferecem inclusive acesso à internet via rádio ou mesmo TV a cabo. Mas os preços dos serviços despencaram principalmente graças ao advento dos provedores de aceso gratuito.

 

Os provedores de acesso gratuito partem do princípio que oferecendo o serviço gratuitamente, da mesma forma que a televisão o faz, conseguirão fidelizar seus clientes de tal forma, que esses utilizaram seus serviços pagos de comércio eletrônico. Os grandes provedores de acesso gratuito contam com investimentos maciços e propostas de marketing mirabolantes que fazem com que estejamos sendo bombardeados constantemente com suas marcas e serviços. Somente o tempo dirá se o acesso gratuito à internet sobreviverá. Pelo menos, já conseguiram forçar o preço das mensalidades dos provedores pagos à níveis muitas vezes abaixo dos padrões internacionais.

 

 

 

Serviços da internet

 

                No momento de sua criação, a internet oferecia muito poucos recursos. O tráfego na internet era na sua grande maioria de arquivos que eram transferidos de um computador para o outro. Não havia qualquer recurso multimídia que tornasse essa nova tecnologia suficientemente atraente ao público em geral. Anos após a sua criação é que surgiu o sistema de mensagens eletrônicas – email – tão popular atualmente. Navegar pela internet como fazemos hoje era algo que ainda não existia.

 

            Com o passar dos anos, novos serviços passaram a ser incorporados à internet, tornando-a cada vez mais atrativa. Alguns desses serviços são listados abaixo, mas a grande maioria já foi incorporada ao mais popular dos serviços, o WWW. Através de WWW já é possível utilizar a maioria dos serviços descritos abaixo sem que nos demos conta.

 

FTP (File Tranfer Protocol)

FTP é o protocolo da Internet que permite a uma pessoa transferir arquivos entre dois computadores, estando eles conectados à Internet.  Vários sistemas na Internet oferecem acesso a arquivos através de FTP anônimo, isto é, o usuário não precisa ter uma conta naquele sistema.  Desta maneira, toda informação armazenada naquela máquina está disponível a qualquer um, bastando para isso transferir o arquivo desejado para o seu computador. Ao acessarmos um site e optarmos por fazer um download, ou seja, baixar um arquivo ou programa, o serviço FTP está sendo utilizado. Sem que se perceba, o browser acessa um serviço de FTP e procede a transferência do arquivo automaticamente.

 

Existem também programas específicos para a transferência de arquivos na internet por meio de FTP. O WS-FTP é um exemplo, pois é fácil de usar e é de grande utilizada aos  administradores de sites, pois permite de manira muito simples a transferência de arquivos de um computador para o outro.

 

 

ARCHIE

O ARCHIE é um sistema de procura criado na Universidade de McGill no Canadá que pesquisa fácil e rapidamente localidades de FTP anônimo, dando ao usuário acesso a milhares de arquivos armazenados através da Internet.  Esta lista de arquivos é atualizada, constantemente, assegurando, assim, a validade das informações desejadas.

 

 

GOPHER

O GOPHER é uma ferramenta de navegação que funciona através de menus, podendo acessar serviços, diretórios, arquivos e dados nos mais diversos centros conectados à rede.  Seu nome é um jogo de palavras com a expressão inglesa “go for” (vá para).  O GOPHER ainda oferece o serviço VERONICA (Very Easy Rodent Oriented Netwide Index to Computerised Archives), que facilita a localização de recursos dentro do GOPHER, exercendo um papel semelhante ao ARCHIE para o FTP.

 

 

TELNET

TELNET é o protocolo da Internet que estabelece uma conexão entre o usuário e uma máquina remota.  Desta maneira, uma pessoa pode trabalhar em um computador, mesmo estando a milhares de quilômetros deste, bastando estar ligado à rede.  Esta capacidade faz com que o TELNET seja extensamente utilizado, principalmente em consultas a bibliotecas ao redor do mundo.

 

 

IRC

IRC é uma sigla que significa Internet Relay Chat (troca de conversa na Internet).  Funciona como um debate em tempo real, podendo ter a participação de várias pessoas ao redor do mundo, em um ou vários canais.  Cada vez mais e mais pessoas vêm utilizando o IRC, seja como um substituto menos oneroso para ligações telefônicas de longas distâncias ou participando de discussões e coberturas ao vivo de notícias, eventos esportivos e etc.

 

Durante muito tempo as conversas em IRC aconteciam em canais específicos para este serviço. Fazia-se necessário a utilização de determinado software para podermos entrar em um bate-papo. Atualmente, com a possibilidade de conversação por meio de WWW, o IRC vêm perdendo seu glamour e prestígio. Através das salas de bate papo, existentes na maioria dos grandes portais (UOL, Terra, AOL, etc.) a conversação pela internet se tornou quase intuitiva. No ambiente WWW os comandos se tornam extremamente fáceis se comparados aos dos softwares específicos, e outra grande vantagem é que em WWW não precisamos instalar qualquer programa para IRC; o próprio browser consegue administrar o chat.

 

 

USENET

USENET funciona como um forum virtual, onde as pessoas trocam dados de interesse mútuo. Na USENET circulam vários newsgroups, grupos de discussão focados em um determinado assunto. O debate dentro de cada newsgroup é feito através de correio eletrônico, onde um artigo postado pode ser lido por qualquer pessoa, tal qual um quadro de avisos.  Há uma enorme variedade de newsgroups, havendo, inclusive, a possibilidade de criação de novos grupos, sendo estes divididos em várias categorias (ou hierarquias) como: “sci” - para pesquisa ou aplicação de ciências estabelecidas; “soc” - para assuntos sociais relacionados às diferentes culturas; “rec” - para hobbies e atividades recreacionais, etc. Alguns newsgroups podem ainda ser moderados, o que significa que há um moderador no grupo que tem a função de fazer com que as discussões sejam focadas no assunto predeterminado pelo grupo.

 

 

ICQ ( I seek you )

 

Eu procuro você. Este é o nome de um dos maiores sucessos da Internet. O nome se baseia em uma típica brincadeira que os americanos fazem e que só têm sentido em seu idioma. A explicação: em inglês, a frase “eu procuro você” pode ser dita com três letras: I, C e Q (lê-se “ai”, “si” e “quiu”) que, quando juntas, têm o som de “I seek you” - tradução da primeira frase deste parágrafo. E é exatamente isso que o programa faz: procura os usuários na internet e os coloca em uma janela na tela do computador, seguida de seu status – “online” ou “offline”.

 

O ICQ evoluiu bastante nos últimos anos. Atualmente já se encontra disponível para download, a versão 2000, com uma série de novos recursos, dentre eles,  a possibilidade de estabelecer um contato telefônico entre usuários.

 

Caixa de texto:  O ICQ funciona da seguinte forma: o usuário se cadastra no servidor ICQ e ganha um número de identificação. Sempre que o seu computador se conecta à Internet, o programa estabelece uma conexão com o servidor, avisando que o usuário entrou no ar, ou seja, está conectado à internet. Na janela do icq (Figura 3.7) o nome desse usuário entra na lista dos “Online” e a partir daí tudo, ou melhor, quase tudo é possível, bastando clicar com o botão da direita do mouse sobre o usuário online para visualizar todas as opções disponíveis.

 

Quando da instalação do ICQ pela primeira vez, a janela aparece obviamente sem nenhum cadastro. A partir desse momento, o usuário deverá procurar através da ferramenta de busca do sistema os seus contatos. Para isso, basta digitar por exemplo, o email, nome, apelido ou número (UIN) do usuário a ser procurado, como apresenta a figura 3.8.

 

Caixa de texto: Figura 3.7: Janela do ICQ. Note que da lista de usuários cadastrados, somente “Bernie” se encontra online.Dentre as várias opções de relacionamento entre os indivíduos on-line, destaca-se a de envio de mensagens instantâneas, a troca de arquivos e o chat, semelhante aos oferecidos pelos grandes portais da internet. Outros serviços como o de envio de URLs, emails ou mesmo cartões de aniversário compõem a nova versão do programa.

 

Uma grande vantagem do ICQ é sua leveza. O ICQ usa pouquíssimos recursos de TCP/IP e não degrada em nenhum “byte” a qualidade da conexão. Toda a comunicação entre usuários é do tipo ponto-a-ponto e não sobrecarrega a rede. Desconectado, o programa permanece residente, mas apenas para identificar seu próximo acesso à rede.

 

O ICQ também dá suporte para os principais browsers do mercado, como o Netscape e Internet Explorer. Outros programas como o Netmeeting e ..., também são compatíveis, o que significa que o usuário pode inicializar e manter conexões ICQ durante a utilização de qualquer um desses programas. Além disso, o ICQ trabalha Caixa de texto:  bem e rápido na hora de inicializar, por exemplo, uma conversa. Para bater papo pelo teclado, não há mistério: basta um clique com o botão direito no nome do usuário e escolher a opção chat, e uma simpática janela se abre no centro do desktop, com os campos para digitação, onde mais de dois usuários podem participar dos chats ao mesmo tempo.

 

Caixa de texto: Figura 3.8: Janela com as diferentes alternativas de procura por novos usuários. Através dessa janela que os indivíduos da lista da Figura 3.7 foram encontradosO ICQ não é só um simples brinquedo - é também uma identificação. Muitas pessoas já passaram a inscrever em seus cartões de visita, além do e-mail e da home page, mais um número - o UIN (User Identification Number), que acelera o processo de rastreamento nos servidores.

 

Para fazer o download do ICQ, basta acessar a página da Mirabilis em http://www.mirabilis.com. A versão 2000 beta já se encontra disponível para download.